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    O "defensor de joelho" impede que os assentos das aeronaves sejam reclinados

    O “defensor de joelho” impede que os assentos das aeronaves sejam reclinados
Nem marmanjos bêbados, nem crianças choronas. Hoje, a mais famosa ameaça à paz coletiva nos aviões é um dispositivo chamado “knee defender” (defensor de joelho), que está causando brigas e suscitando polêmicas nos Estados Unidos.

Composto por um par de travas capazes de impedir que os assentos das aeronaves sejam reclinados, o “knee defender” foi inventado pelo empresário Ira Goldman, um norte-americano com 1,90m de altura que estava cansado de passar aperto em suas jornadas aéreas. O instrumento, vendido na internet por US$ 21,95, tem sido usado por passageiros da classe econômica para travar o assento à sua frente, impedindo que o viajante sentado adiante incline seu encosto.
O dispositivo já causou problemas nos Estados Unidos: na semana passada, duas pessoas tiveram uma ríspida discussão em um voo da United Airlines entre Newark e Denver, quando uma delas usou o “defensor de joelho” para impedir que a outra reclinasse seu assento. A briga ficou tão feia que o piloto resolveu fazer um pouso de emergência na cidade de Chicago. Os dois viajantes foram expulsos da aeronave.
A confusão, noticiada por veículos de mídia do mundo inteiro, ajudou a popularizar o instrumento: nos últimos dias, a procura online pelo “defensor” aumentou 500 vezes, segundo afirmou Ira Goldman à CNN.
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ainda não tem nenhuma determinação que proíba o uso do dispositivo em voos dentro do Brasil. Porém, consultadas pelo UOL, as empresas TAM, Gol, American Airlines, Air France, KLM e Emirates disseram que não irão permitir a utilização do “knee defender” em suas jornadas aéreas.
A TAM, por exemplo, informa que sua “tripulação e os pilotos têm a prerrogativa e a autoridade para efetuar o desembarque compulsório” de passageiros que causem problemas a bordo.
Apertado demais?
Junto com a discussão do “protetor de joelho” vem a pergunta: a classe econômica das empresas aéreas está apertada demais?
No Brasil, a Anac realizou uma inusitada pesquisa para saber qual o tamanho da parte superior das pernas dos viajantes nacionais. Após medir 5.300 pessoas entre 15 e 87 anos nos 20 principais aeroportos do país, a entidade chegou a um resultado: o comprimento entre o glúteo e o joelho dos passageiros brasileiros varia, em média, entre 55 cm e 65 cm.
A Anac utilizou esta medida para criar, em 2010, um sistema que classifica os aviões das companhias aéreas nacionais de acordo com o espaço entre seus assentos.
Segundo a entidade, para ter nota A, a aeronave deve oferecer um espaço útil entre assentos maior que 73 cm.
Para ganhar nota B, o espaço entre os assentos deve ser menor ou igual a 73 cm e maior que 71 cm. A nota C, por sua vez, é dada para aviões com espaço útil entre assentos menor ou igual a 71 cm e maior que 69 cm.
Já a nota D é atribuída a aviões com espaço útil entre assentos menor ou igual a 69 cm e maior que 67 cm. Aviões com espaço entre assentos menor ou igual a 67 cm ganham nota E, a menor de toda a classificação.
A Anac também desenvolveu um selo que informa ao passageiro a classificação da aeronave com a qual será feito o seu voo. O artigo 3º da Resolução nº 135 da entidade, de 9 de março de 2010, determina que “o selo deverá vir impresso no bilhete de passagem, ou equivalente, das empresas participantes e poderão ser expostos pela empresa em suas instalações, escritórios, balcões de despacho, aeronaves e materiais de propaganda, sempre mantendo a devida correlação com o tipo de aeronave”.
A Gol e a TAM, por exemplo, informam a classificação da aeronave um pouco antes de o passageiro fechar a compra da passagem pela internet. Para saber a nota do avião, clique nos links que aparecem ao lado do número do voo. Este tipo de informação também pode ser pesquisado com os profissionais de vendas das companhias, incluindo a Azul e as internacionais — que, se não têm a classificação da Anac para divulgar, podem informar a distância entre os assentos em seus aviões.

 

 

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