Moeda já chegou a ser vendida em casas de câmbio no país a R$ 3,20; há turistas que desistem da viagem


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DA REDAÇÃO (com Folha de S.Paulo) – A recente alta do valor do dólar no Brasil, que já ultrapassou os R$ 2,80 no câmbio comercial e mostra fôlego para subir ainda mais, deve dificultar a viagem do turista brasileiro à Flórida e já faz muita gente que estava com viagem marcada repensar o itinerário. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostra que já existem turistas desistindo de vir ao terceiro estado mais populoso dos Estados Unidos devido ao custo do passeio, que ficou mais alto. 



Um exemplo é o da engenheira Martha Cristel, que planejava vir a Miami mas, nas últimas semanas, viu a conta ultrapassar seu planejamento inicial e desistiu da viagem.

“Comecei a ver preços em janeiro, quando o dólar teve uma queda, mas achei que pudesse cair mais e não comprei. Agora, com o valor que está, não vou mais.”

A reportagem fez um levantamento com cinco agências de câmbio na tarde da sexta-feira (13). O dólar turismo variava entre R$ 2,97 e R$ 3,03 em espécie (patamar que não era encontrado com frequência desde 2004) e de R$ 3,12 a R$ 3,18 no cartão pré-pago. Na quarta-feira (11), a moeda chegou a R$ 3,20.

Simone Zanella, dona de uma agência de viagem no Brasil que é especializada em pacotes para Orlando, já sente os efeitos da alta do dólar: nas últimas duas semanas não fechou nenhum roteiro.

As vendas que conseguiu fazer foram para famílias que já haviam comprado as passagens no ano passado e que precisavam apenas acertar os passeios, reservar hotel e trocar algum dinheiro para alimentação e compras.

“Não acredito que as pessoas deixem de viajar com a alta do dólar, mas elas estão mudando a viagem. Ou seja, trocando a categoria da hospedagem para uma mais barata e diminuindo passeios.”

A terapeuta Berta El Kalay visitou Orlando e Miami com o marido e os netos no início deste ano, mas “porque já tinha comprado as passagens”. “Não deixamos de ir, mas viajei com o dólar a R$ 2,90. Nós diminuímos em até 60% as compras, e o cartão de crédito ficou proibido.” A família ainda economizou na hospedagem e na alimentação durante os 14 dias de viagem.

Após um recorde nas vendas em janeiro, a agência de turismo CVC avalia que a alta do dólar não deve interferir nas viagens, já que o planejamento, geralmente, é feito com antecedência. “A CVC faz reservas em grandes volumes com seus fornecedores e consegue manter seus preços estáveis. Vamos apostar cada vez mais na venda antecipada da viagem, de 12 até 18 meses antes do embarque, o que facilita o planejamento financeiro”, disse em nota.

Mudança de hábitos
Outro efeito da alta do dólar reflete em uma mudança de hábitos dos viajantes brasileiros. Eles vêm trocando os cartões de crédito e pré-pagos em moeda estrangeira pelo dinheiro em espécie. A compra de papel moeda de outros países cresceu quase 30% entre 2013 e 2014, segundo dados do Banco Central.

No mesmo período, o uso de cartões de crédito em transações no exterior caiu 5%. A compra de moeda estrangeira por meio de cartões pré-pagos, que havia se destacado em 2013, despencou 74%.

Em todos os casos, a perda de interesse pelo dinheiro de plástico está relacionada às mudanças tributárias promovidas pelo governo.
Em março de 2011, o IOF sobre gastos no cartão de crédito no exterior subiu para 6,38%. Em dezembro de 2013, essa taxação foi estendida ao pré-pago. A compra de moeda em espécie continua com tributação de 0,38%.

João Medeiros, diretor da Pioneer Corretora de Câmbio, diz que não é raro os brasileiros viajarem hoje com maços de dólar, mesmo diante dos riscos de carregar moeda em espécie. “O pré-pago era um produto fantástico em relação a segurança e eficiência. O governo matou o produto.”

No ano passado, foram comprados $9,9 bilhões em espécie. No pré-pago, o valor caiu de $3,3 bilhões para $870 milhões.

O uso do cartão de crédito no exterior, em viagens ou compras pela internet, atingiu no ano passado o menor valor em quatro anos, $11,7 bilhões. Essas despesas já haviam recuado em 2012, quando turistas começaram a migrar para os cartões pré-pagos. Em 2013, o volume praticamente não alterou.

No total, o valor em dólar das transações com moeda estrangeira nessas três modalidades, as mais utilizadas no câmbio turismo, caiu 4% em 2014, segundo o BC.

Fonte: http://www.acheiusa.com/

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